O ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) já recebeu cerca de 30 registros desde o lançamento do questionário nacional, divulgado pelo Campo Grande News na semana passada, que busca identificar onde o tatu-bola (Tolypeutes matacus) ainda ocorre em Mato Grosso do Sul e em outras regiões do Centro-Oeste. As respostas ainda serão analisadas e vão contribuir para atualizar o mapa de distribuição da espécie e orientar o Plano de Ação Nacional voltado à conservação do tamanduá-bandeira, tatu-canastra e tatu-bola, coordenado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) a partir de maio de 2026. No Brasil, o tatu-bola é encontrado apenas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, principalmente em áreas do Pantanal e em regiões de transição com o Cerrado. Em território sul-mato-grossense, muitas áreas ainda não foram estudadas de forma detalhada, e os pesquisadores querem entender onde a espécie ainda sobrevive e onde pode ter desaparecido. Segundo o presidente do ICAS, Arnaud Desbiez, essas informações são essenciais para orientar medidas de proteção. “Antes de qualquer estratégia de conservação, é fundamental saber onde a espécie ocorre e onde deixou de ocorrer. A ausência também é um dado extremamente valioso, porque ajuda a identificar quais ameaças estão atuando em cada região”, explica. A situação do tatu-bola se agravou nos últimos anos, especialmente após os grandes incêndios que atingiram o Pantanal. Estima-se que mais de 50% da área de ocorrência da espécie em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul tenha sido afetada pelo fogo desde 2020, o que levanta a possibilidade de extinções locais. “O cenário mudou completamente. Existem regiões onde o tatu-bola era visto com frequência e que, após incêndios ou mudanças ambientais, deixou de ser observado”, afirma Desbiez. De hábitos noturnos e comportamento discreto, o tatu-bola é difícil de ser avistado. O animal mede cerca de 30 centímetros e possui uma característica única: é o único tatu capaz de se enrolar completamente, formando uma bola como mecanismo de defesa. A pesquisadora do ICAS, Mariana Catapani, destaca que o questionário busca envolver moradores e trabalhadores do campo, como peões, brigadistas, guias e proprietários rurais. “Muitas pessoas têm informações valiosas que nunca foram registradas, e esse levantamento permite transformar esse conhecimento em dados importantes para a conservação”, afirma. Qualquer pessoa pode participar, informando a presença ou ausência da espécie em propriedades rurais ou áreas naturais. Os dados serão analisados por um grupo coordenado pelo ICMBio e vão ajudar a definir ações prioritárias, como monitoramento, proteção de habitat e novas pesquisas. Arnaud reforça que o levantamento é voltado exclusivamente ao Tolypeutes matacus, espécie presente no Pantanal e no Cerrado. Ele destaca que o estudo não inclui o tatu-bola-da-caatinga, que ocorre apenas no Nordeste. “Estamos falando exclusivamente da espécie que vive no Pantanal e no Cerrado”, afirma. Segundo ele, essa diferenciação é essencial para garantir a precisão dos dados e o planejamento eficaz das ações de conservação. O questionário está aberto ao público e pode ser respondido por qualquer pessoa que tenha informações sobre o tatu-bola em MS e MT, especialmente nas regiões do Pantanal e do Cerrado. Os dados vão ajudar a mapear a presença da espécie e orientar ações de conservação. As contribuições podem ser enviadas por formulário online ou pelo e-mail registros.tatubola@gmail.com . Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .