Movimento denuncia fechamento do Consultório na Rua noturno em Goiânia
O presidente do Movimento da População em Situação de Rua de Goiás, Eduardo de Matos, denuncia que a gestão da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia determinou o fechamento da equipe noturna do Consultório na Rua do setor Vila Nova — serviço considerado essencial para o atendimento da população em situação de rua.
Segundo Eduardo, a decisão teria sido comunicada no início da semana, com a informação de que o encerramento deve ocorrer já após o Carnaval. “A gente foi surpreendido com a informação de que o consultório noturno vai fechar. Inclusive, já deram destino para o profissional que estava na equipe. Foi uma ordem, sem justificativa clara”, afirma ao Jornal Opção.
De acordo com ele, a medida contraria o que vinha sendo discutido com a própria gestão desde o início do ano. “Desde janeiro estamos em diálogo com a nova direção. Ontem mesmo eu tinha enviado mensagem pedindo ampliação das equipes, fortalecimento da redução de danos. A resposta foi que estavam em processo de contratação. E agora, de repente, anunciam o fechamento.”
Plano previa ampliação, não redução
Eduardo lembra que o Plano Municipal de Saúde 2022–2025 prevê a ampliação das equipes do Consultório na Rua, com a criação de novas eCRs (equipes de Consultório na Rua) nos anos de 2024 e 2025. “O plano municipal determina ampliar as equipes, não fechar as que já existem. Já tentaram fechar antes. Levamos documento ao Conselho Municipal de Saúde e a decisão foi revista. Agora parece que estão pressionando novamente.”
Para o presidente do movimento, a justificativa informal de falta de profissionais não se sustenta. “Não houve justificativa oficial. O que se comenta é que a equipe estava reduzida, com apenas dois profissionais, sendo que uma enfermeira está gestante e afastada. Aproveitaram esse momento para fechar. Isso é uma manobra.”
Impacto direto na população de rua
Eduardo, que atua como educador social no Consultório na Rua desde 2014, destaca que o impacto será profundo, especialmente no período noturno, quando a vulnerabilidade se intensifica.
“Depois da pandemia, mais que dobrou o número de pessoas em situação de rua. Todos os serviços deveriam estar sendo ampliados para dar conta da demanda real que está nas ruas. Em vez disso, estamos vendo sucateamento e fechamento.”
Ele classifica a medida como grave violação de direitos. “É um impacto enorme na vida de quem já não tem nada. Estamos falando de acesso básico à saúde, de cuidado, de redução de danos. Fechar o noturno é uma desatenção gravíssima, pode configurar violação de direito humano.”
Sou profissional do serviço e também fruto dele. Acredito no Consultório na Rua por experiência própria. Ver isso fechar corta o coração
Mobilização
O Movimento da População em Situação de Rua articula a elaboração de um documento para encaminhamento ao Conselho Municipal de Saúde e a outras instâncias de controle social.
“A gente não pode ficar parado. Vamos denunciar, buscar o Conselho, Defensoria, quem for necessário. Hoje é o noturno. Amanhã pode ser o serviço inteiro.”
A reportagem solicitou posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde sobre o fechamento da equipe, mas a pasta negou as informações.
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