Entenda por que Ratinho Júnior não deve ser candidato a presidente da República
Carlos Roberto Massa Júnior, Ratinho Júnior (PSD), de 44 anos, é governador do Paraná. Sua gestão é avaliada positivamente por mais de 80% dos paranaenses.
Dado seu sucesso como administrador, Ratinho Júnior diz que poderá ser candidato a presidente da República. Nada mais legítimo.
Porém, nem mesmo o empresário e apresentador de TV Carlos Roberto Massa, Ratinho sênior, quer o filho na disputa nacional. O quer como candidato a senador no Paraná.
“Folha de S. Paulo” informa que Big Ratinho teme que uma candidatura presidencial de Ratinho Júnior possa prejudicar os negócios de uma família multimilionária.
Ratinho sênior é o chefão da família e exerce influência decisiva na vida política do filho. É absolutamente pragmático.
Moro pode ser o fim de Ratinho Jr.
Mas há outra preocupação, mais ou igualmente forte. Se não for candidato a senador, Ratinho Júnior pode colaborar para a destruição de seu grupo político.
O pré-candidato a governador do Paraná apoiado por Ratinho Júnior é, até agora, Guto Silva (PSD), seu secretário de Cidades.
Guto Silva aparece bem atrás do senador Sergio Fernando Moro (União Brasil), o favorito absoluto, nas pesquisas de intenção de voto.
Porém, se Ratinho Júnior recuar do projeto presidencial e se engajar na campanha local, muito provavelmente, seu candidato subirá nas pesquisas, com a possibilidade de derrotar o ex-magistrado do caso Lava Jato.
Espécie de “rei da Bahia”, Antônio Carlos Magalhães (1927-2007) dizia que só é forte na corte quem é forte na província.
Pois, se não contribuir para eleger Guto Silva no Paraná, Ratinho Júnior se tornará fraco na província. Se derrotado na disputa pela Presidência da República, ficará ainda mais debilitado e isolado politicamente. Até porque alguém com mandato assumirá o comando de “seu” grupo.
O que restará a Ratinho Júnior depois de possíveis duplas derrotas? Disputar a Prefeitura de Curitiba, daqui a dois anos e sete meses. Ficará menor. Se tornará um Ratinhozinho. Então, sublinhando, a aventura nacional do político de Jandaia do Sul pode se tornar o começo da debacle de seu grupo e, por conseguinte, dele próprio.
Se vitorioso para governador, Sergio Moro vai passar quatro anos tentando destruir o legado de Ratinho Júnior — inclusive apurando possíveis denúncias de malfeitos. Aí o membro do PSD poderá se tornar Nano Ratinho.
Se eleito em 2026, Sergio Moro será, possivelmente, candidato à reeleição, em 2030. Então, nos quatro anos de governo — repetindo: se for eleito este ano —, vai operar para reduzir a força de Ratinho Júnior no Paraná. Sua reeleição tende a depender disto.
Flávio Bolsonaro no front contra Ratinho
Pré-candidato a presidente da República pelo PL, o senador Flávio Bolsonaro afirma que, se Ratinho Júnior for candidato a presidente, poderá apoiar Sergio Moro para governador. O apoio do senador do Rio de Janeiro enfraquecerá ainda mais a aliança do governador no Paraná. Pode ser o começo do fim da era Little Mouse.
Há inclusive a possibilidade de Sergio Moro trocar o União Brasil pelo PL, com o apoio de Flávio Bolsonaro. Os dois estão conversando sobre o assunto.
Fica a ressalva de que, se as direitas lançarem apenas um candidato, Flávio Bolsonaro corre o risco de ser derrotado pelo presidente Lula da Silva no primeiro turno.
As direitas precisam de pelo menos dois candidatos presidenciais. Convém relembrar que, em 2022, o petista-chefe foi eleito estando fora do poder e Jair Bolsonaro só foi para o segundo turno porque havia mais outros candidatos no páreo — Ciro Gomes e Simone Tebet.
O político de Garanhuns obteve, já no primeiro turno, quase 49% dos votos. Este ano, no poder, certamente será um páreo ainda mais difícil do que em 2022. Por isso, Flávio Bolsonaro precisa operar com o máximo cuidado. Não pode arrombar portas abertas ao pensar apenas no primeiro turno.
Centrão na mira de Lula da Silva
Profissional do primeiro time, Lula da Silva opera, neste momento, em três campos. Mantém contatos frequentes com líderes evangélicos. Ele sabe que a maioria dos evangélicos prefere apoiar um postulante da direita. Ainda assim, opera, com profissionalismo, para absorver parte dos votos dos protestantes.
A grande operação de Lula da Silva está se dando nas negociações com o Centrão. Até o senador Ciro Nogueira, que era considerado anti-PT e anti-Lula, já está conversando com o petista-chefe.
Por que Ciro Nogueira pode compor e apoiar a reeleição de Lula da Silva? Talvez o problema nem esteja no Piauí ou no Nordeste — região onde o presidente é popular.
Ciro Nogueira tem faro político apurado e talvez tenha percebido que será muito difícil derrotar Lula da Silva. Há problemas no campo pessoal, por exemplo, no caso do Banco Master? Não se sabe, ao menos não com precisão documental.
Parte do União Brasil segue com Lula da Silva. Não é o grupo decisivo no plano nacional, mas tem influência nos Estados.
Dada sua experiência, Lula da Silva sabe que, para ganhar uma eleição presidencial, é preciso fazer grandes composições políticas, e sem moralismo. Campanha política não é um encontro de coroinhas. É uma batalha de Gengis Khan e Átila. Então, é preciso até alianças impensáveis. Ninguém pode ser dispensado. Exceto os inocentes.
Intenção de voto: de Ratinho Jr. ou de Ratinho pai?
Há um detalhe a ser examinado: e se a intenção de voto de Ratinho Júnior não for dele, e sim do pai Ratinho sênior, conhecido no país por causa do programa de televisão no SBT?
Se o que se disse acima proceder — e isto deverá ser investigado pelos pesquisadores —, quando Ratinho Júnior for exposto ao país, e os eleitores perceberem que não se trata de Ratinho pai, é bem possível que sua intenção de voto caia.
Não há dúvida de que, diferentemente de Lula da Silva, Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro, Ratinho Júnior não é um político nacional. É um político circunscrito ao Paraná — possivelmente, não chega forte nem mesmo em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Então, um problema de Ratinho Júnior será a falta de experiência nacional. Por isso, pode começar relativamente bem e, no meio do caminho, desidratar-se. No Nordeste, por exemplo, possivelmente não tem a mínima musculatura para enfrentar um peso-pesado como Lula da Silva.
Nunca se ouviu uma fala de Ratinho Júnior sobre o desenvolvimento do Nordeste. Parece que o Nordeste é uma região que não existe no seu vocabulário. O político do Paraná tem uma visão sulista do país; portanto, insular.
Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado
Flávio Bolsonaro tem o bolsonarismo, quer dizer, é filho de Jair Bolsonaro, que ainda é popular em todo o país. Sua força deriva do pai.
Ronaldo Caiado tem quatro coisas positivas: experiência no país, porque transita fora de bolhas, e no Congresso (foi deputado federal por vários mandato e senador); discurso contundente contra o PT e Lula da Silva, a bandeira da segurança, a que mais agrega os eleitores, e a probidade pessoal e pública.
O candidato que tiver um discurso forte contra o crime organizado e um projeto de desenvolvimento inclusivo pode ser eleito presidente. Terá de pegar um pouco de Lula da Silva, sobretudo o aspecto social, e acrescentar um projeto de segurança.
Neste sentido, Ronaldo Caiado é uma alternativa viável. Porque criou um Estado do bem-estar social (não se está dizendo que é perfeito) e Goiás se tornou um dos Estados mais seguros do país. Além disso, Goiás cresce mais do que o Brasil.
Noutras palavras, quando o governo é bem conduzido, quando o Estado não está a serviço apenas do estômago pantagruélico da máquina insaciável, a economia segue num ritmo mais acelerado e estável. Ronaldo Caiado tem o discurso — ideal — para a campanha.
Qual é a bandeira de Flávio Bolsonaro: indultar o pai? Se for, na campanha, perderá espaço tanto para Lula da Silva quanto para outro candidato.
Há um detalhe menor, mas vale registro. Imagine que, eleito presidente da República, Ratinho Júnior seja convidado a fazer um pronunciando na ONU ou em Davos. Ele certamente será apresentado assim: “Agora vai falar o excelentíssimo presidente do Brasil Little Mouse”. A assembleia poderá ser suspensa dadas as gargalhadas? Talvez não. Talvez sim.
Leia também: Por que Wilder Morais pode derrotar Gayer, o nome de Bolsonaro para senador em Goiás?
O post Entenda por que Ratinho Júnior não deve ser candidato a presidente da República apareceu primeiro em Jornal Opção.
