Q Quando a saúde aperta, saber para onde correr primeiro pode acelerar o atendimento, evitar filas e até salvar vidas. No Sistema Único de Saúde (SUS), cada tipo de serviço tem um papel diferente — e todos trabalham integrados em uma grande rede de cuidados que percorre desde a prevenção até a urgência e internação. O SUS é reconhecido como um dos maiores e mais complexos sistemas públicos de saúde do mundo, garantindo atendimento universal, integral e gratuito. Desde ações simples, como vacinação e acompanhamento da pressão arterial, até procedimentos de alta complexidade, como cirurgias especializadas e transplantes, o sistema está preparado para cuidar da população em todas as fases da vida. Atenção Primária (UBS): o cuidado que começa no bairro As Unidades Básicas de Saúde (UBS) são a porta de entrada do SUS e estão presentes na maioria dos municípios, próximas às casas da população. É aqui que a maioria das pessoas deve iniciar o cuidado com a saúde. Segundo a superintendente de Atenção Primária à Saúde da SES, Karine Cavalcante, a UBS não serve apenas para resolver problemas pontuais: ela acompanha o cidadão ao longo do tempo, conhece o território e cria vínculo com as famílias. Nas UBS, moradores encontram: consultas de rotina com médicos, enfermeiros e equipes multiprofissionais; acompanhamento de crianças, gestantes, adultos e idosos; controle de doenças crônicas como diabetes e hipertensão; vacinação, pré-natal e atendimento odontológico; testes rápidos de HIV, sífilis, hepatites virais e gravidez; exames de rastreamento de câncer; ações de planejamento reprodutivo, distribuição de preservativos e inserção de DIU; acompanhamento contínuo e encaminhamentos para serviços especializados quando necessário. Ou seja: a UBS resolve grande parte dos cuidados cotidianos e orienta corretamente os próximos passos dentro da rede de saúde. UPA: 24 horas para urgências que não podem esperar As Unidades de Pronto Atendimento (UPA) são serviços de urgência que funcionam 24 horas por dia e fazem parte da Rede de Atenção às Urgências e Emergências. Elas são indicadas quando o problema exige avaliação imediata, mas não há necessidade imediata de internação hospitalar. Exemplos de situações que devem ser levadas à UPA são: febre alta (acima de 39 °C); dor intensa ou persistente; falta de ar; fraturas leves e ferimentos com sangramento sem controle; crises convulsivas; urgências clínicas, traumáticas ou psiquiátricas. O atendimento nas UPAs funciona pela classificação de risco: quem está em situação mais grave é priorizado, independentemente da ordem de chegada. As UPAs resolvem “no próprio local” grande parte dos casos de urgência e, quando necessário, encaminham para hospitais ou orientam a continuidade do cuidado na UBS. Hospital: estrutura para casos mais complexos Os hospitais integram os níveis de média e alta complexidade do SUS. Eles são chamados quando o quadro exige: internação; cirurgias; exames complexos; cuidados intensivos. A superintendente de Atenção à Saúde da SES, Angélica Congro, explica que o encaminhamento aos hospitais é feito de forma organizada pela regulação. Ou seja, após avaliação clínica na UBS ou na UPA, a equipe indica a necessidade e escolhe o hospital mais adequado — o que ajuda a evitar deslocamentos desnecessários e torna o SUS mais eficiente. Samu: socorro rápido quando a vida está em risco O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) deve ser acionado pelo 192 em casos graves e emergenciais, quando há risco imediato à vida ou necessidade de atendimento rápido no local. O Samu presta os primeiros atendimentos no local da ocorrência e, conforme a situação, leva o paciente à UPA ou ao hospital mais próximo, seguindo a gravidade do caso. SUS em rede: cuidado que começa no bairro e vai até o hospital O grande diferencial do SUS está na interligação dos serviços: UBS, UPA, hospitais e SAMU atuam como partes complementares de uma mesma rede que cuida do paciente desde os problemas do cotidiano até as urgências mais graves. Entender onde buscar atendimento, caso a caso, não só agiliza o cuidado, como também fortalece o SUS, ajuda a organizar melhor a fila de atendimento e garante que quem precisa mais seja atendido primeiro.