O governo federal decidiu pisar no freio do desperdício, com a publicação de uma portaria no DOU (Diário Oficial da União), nesta quinta-feira (22), que estabelece novas regras para cobrar carros mais econômicos das montadoras, mirando diretamente no consumo de combustível dos veículos vendidos no país. Com isso, carro novo que bebe demais passa a ser problema das fabricantes, não mais do consumidor. A norma foi editada pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e detalha como as empresas terão de comprovar que seus modelos gastam menos energia, seja gasolina, etanol ou eletricidade. Essa portaria regulamenta metas de eficiência energética média da frota, ou seja, o desempenho de todos os carros que cada montadora coloca nas ruas. Para isso, o governo passa a usar dados reais de emplacamento, pode exigir testes, auditar informações e até desconsiderar números apresentados pelas próprias montadoras se encontrar inconsistências. A cobrança tende a mudar o que chega às concessionárias. Modelos com consumo alto perdem espaço, enquanto versões mais eficientes ganham prioridade. Tecnologias que antes eram opcionais ou restritas a carros caros devem se espalhar para versões básicas, como sistemas de economia de combustível e motores ajustados para gastar menos. O efeito direto esperado é menos gasto no posto, ainda que o preço do carro possa subir no curto prazo por causa do custo das tecnologias. A norma dá peso maior a veículos híbridos e elétricos no cálculo da eficiência. Um carro elétrico, por exemplo, pode contar mais de uma vez na média da frota. Isso cria um incentivo claro para as montadoras ampliarem esse tipo de oferta, mesmo que o mercado ainda não esteja plenamente preparado para absorver esses modelos em larga escala. Outro ponto sensível é o papel do etanol. A portaria abre espaço para revisão dos critérios que medem o impacto de combustíveis renováveis. Dependendo do desfecho, carros flex podem ganhar fôlego ou perder terreno para a eletrificação.