O ano de 2026 começa com probabilidade de epidemia de dengue em Mato Grosso do Sul. A explicação está nos modelos matemáticos, segundo o infectologista da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Júlio Croda, falou ao Campo Grande News em entrevista recente . Após 2024 e 2025 com números em queda, a tendência é de maior circulação no Estado nos próximos meses. Até o momento, no entanto, só há dois casos confirmados oficialmente. Na análise do especialista, Campo Grande e Dourados podem ser exceção por terem adotado métodos inovadores nos últimos anos. Enquanto a Capital foi plataforma para o Wolbachia (uso de bactéria para combater a proliferação de mosquitos Aedes aegypti), a outra cidade foi piloto na oferta da vacina contra a doença para toda a população. Em paralelo a isso, a SES (Secretaria Estadual de Saúde) divulgou que está intensificando ações de combate à dengue e à chikungunya especialmente no interior do Estado. Uma das medidas será visitar as casas de moradores de todos os 79 municípios. Agentes de combate a endemias e agentes comunitários de saúde deverão orientar moradores, identificar focos e registrar situações que demandam encaminhamento a órgãos públicos. Mutirões de limpeza serão outro eixo importante na estratégia deste ano. “Não basta apenas recolher lixo. É fundamental identificar qual é o depósito predominante em cada município, seja lixo, caixas d’água, tonéis, fossas ou outros recipientes. Com base nesses dados, as ações se tornam mais eficientes”, explicou o coordenador estadual de Controle de Vetores, Mauro Lúcio Rosário. A pasta citou ainda que passará a fazer em todas as cidades o bloqueio químico aos mosquitos com uso de bomba pulverizadora e a BRI (Borrifação Residual Intradomiciliar). Elas consistem na aplicação de inseticida com efeito que se estende por várias semanas em pontos estratégicos, especialmente em locais com grande circulação de pessoas. Uma última medida será instalar em mais municípios armadilhas para mosquitos chamadas de EDLs (Estações Disseminadoras de Larvicida). Elas utilizam o próprio mosquito para disseminar o produto. “O mosquito entra em contato com o larvicida e acaba levando esse produto para outros recipientes que muitas vezes não são visíveis ou acessíveis, como calhas, telhados ou áreas de construção. Isso nos permite um controle muito mais eficiente”, detalha Mauro Lúcio.