Entre o Jardim Aeroporto, o Carioca e a Vila Nova Campo Grande, atrás de empresas grandes e na saída para Aquidauana, existe uma vila que muita gente nem sabe que está ali. A Vila Romana completa 21 anos de existência, mas segue à margem do desenvolvimento da cidade, invisível para o poder público e marcada por precariedade no dia a dia dos moradores. A reportagem do Campo Grande News esteve na região para mostrar a realidade enfrentada por quem vive no local. Apesar da proximidade com bairros conhecidos, a vila não tem asfalto em nenhuma rua. Todas são de terra, cheias de crateras, que dificultam a circulação de veículos e pedestres. Quando chove, o cenário piora. A Vila Romana fica a cerca de 2 quilômetros do posto de saúde mais próximo, a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Santa Mônica, e também da escola, localizada no mesmo bairro. Não há comércio na região, o que obriga os moradores a percorrerem longas distâncias para acessar serviços básicos. Outro problema é o transporte coletivo. Os pontos de ônibus existem, mas cerca de 90% não têm cobertura, deixando quem depende do transporte exposto ao sol forte e à chuva. À noite, a iluminação pública é precária, o que aumenta a sensação de insegurança. Nos fundos do bairro, um matagal extenso preocupa os moradores. Ao lado, há uma ocupação com barracos. Segundo relatos, o local contribui para o medo constante de quem vive na vila. Moradora da Rua Cássio Nero, a aposentada Benedita Rossana Figueiredo, de 62 anos, descreve a rotina difícil. “Nós precisamos de um cascalhamento urgente. As ruas ficam muito difíceis de circular, segurança que não tem, a polícia não vem pra cá, e no ponto é um sol escaldante. Uber não vem depois das 22h, com medo de assalto, porque é muito escuro”, relata. Ela conta ainda que os buracos geram prejuízo financeiro. “Nos veículos, com essas crateras, temos muito gasto com manutenção. É uma calamidade quando chove, fica um rio, intransitável na Rua Cláudio Augusto”. Benedita lembra que já houve promessa de asfalto. “Já teve condições para asfaltar. Começaram, colocaram estaca, mas sumiram. Queremos que a prefeitura nos ouça”. A aposentada Paulina Aparecida Ferreira, de 62 anos, mora há 20 anos na Vila Romana e reforça o sentimento de abandono. “Aqui não tem comércio, porque ninguém quer vir pra cá. O posto mais perto é na Santa Mônica, o mercado mais perto fica no Jardim Carioca. Aqui devia pelo menos cascalhar”, diz. Ela explica que sair de casa vira um desafio. “Vira um caos quando vai sair na Cássio Nero, mas tem ruas que são piores”. Paulina também relata problemas com árvores próximas à rede elétrica. “Tem umas árvores que vão cair e há anos tentamos o corte, mas a prefeitura não deixa. Bate nos fios de alta tensão. Já perdi aparelho, telefone, computador e até celular”. A insegurança é outro ponto constante no discurso. “Segurança aqui não tem. Quatro horas da manhã tem que andar com uma pessoa do lado. Já me roubaram por volta das 19 horas, levaram meu celular. A polícia só vem depois que já roubou todas as casas”, afirma. Para ela, a vila é um “lugar largado ao gosto de Deus”. “Na invasão e no matagal, ‘noia’ aproveita pra se esconder. No matagal aqui atrás é até local de desova. Não é seguro aqui pra andar, nem de dia nem de noite”, conclui. O pedreiro José Roberto, de 41 anos, vive na Vila Romana desde a criação do bairro. Dono da casa própria, ele conta que a vontade de ir embora já foi grande. “Não vemos crescer nada por aqui. Andamos quilômetros atrás de mercado, de posto de saúde, de coisas básicas do dia-a-dia. Nem parece que estamos dentro da cidade”. Segundo ele, o pedido dos moradores é simples. “Queríamos ser vistos, pelo menos receber um asfalto, ponto de ônibus com coberturas e policiamento". Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.