Apenas 43 dos 128 homens encaminhados pela Justiça concluíram o Programa Recomeçar, curso obrigatório para autores de violência doméstica em Campo Grande. Os dados constam em suplemento publicado nesta quarta-feira (7) no Diogrande (Diário Oficial do Município). O balanço reúne informações do período entre 1º de agosto de 2024 e 31 de julho de 2025. No intervalo de um ano, o Judiciário determinou que 128 homens participassem das atividades realizadas na Capital. O programa prevê 16 encontros presenciais, organizados em grupos e com frequência obrigatória. Do total de encaminhados, 85 não chegaram ao fim do curso. A taxa de conclusão ficou em aproximadamente 34%, segundo os dados oficiais divulgados pela Prefeitura. Isso significa que quase dois em cada três participantes abandonaram o ciclo completo de atividades. O suplemento não indica redução gradual da evasão ao longo do período analisado. De acordo com o relatório, os principais motivos para a evasão foram abandono, revogação de medidas judiciais e prisão dos participantes. O documento também aponta incompatibilidade com horário de trabalho e dificuldade de contato, já que alguns homens trocaram número de telefone durante o acompanhamento. A Prefeitura não detalhou quantos casos se enquadram em cada situação. O Programa Recomeçar é executado pela Semu (Secretaria Executiva da Mulher) como política municipal de enfrentamento à violência doméstica. Os homens não ingressam de forma voluntária e participam por determinação judicial. As atividades seguem cronograma definido pela administração municipal. O levantamento traça o perfil social dos participantes atendidos no período analisado. A faixa etária predominante foi de 33 a 40 anos, que concentrou 29,8% dos homens encaminhados. Em relação à renda, 47,7% declararam ganhos mensais entre R$ 2.001 e R$ 5.000. Quanto à raça e cor, 57,4% dos participantes se declararam pardos. A soma de pretos e pardos alcançou 70,2%, conforme classificação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O relatório aponta ainda que 63,1% informaram consumo de bebida alcoólica. Entre os homens que concluíram o curso, a avaliação dos encontros foi majoritariamente positiva. A maioria classificou os conteúdos como bons ou ótimos, com destaque para os temas Lei Maria da Penha, machismo estrutural e relações de poder. No eixo Relações de Poder e Controle, 100% consideraram o conteúdo importante e 90,9% apontaram aplicação no cotidiano. Apesar do detalhamento sobre adesão, perfil e avaliação, o relatório não traz dados sobre reincidência. O documento não informa se os participantes voltaram a cometer violência após o fim do curso. O balanço divulgado se limita à frequência, às características sociais e à percepção dos participantes.