Após captura, governo Trump recua sobre acusação de que Maduro chefiava cartel de drogas
O governo do presidente Donald Trump recuou da acusação de que Nicolás Maduro chefiava o Cartel de Los Soles e também suavizou a própria caracterização do grupo em uma nova versão da denúncia judicial apresentada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A mudança ocorreu após a captura de Maduro, no último sábado, 4, durante uma operação militar em Caracas, segundo análise do The New York Times.
A revisão marca uma alteração significativa de linguagem em relação à acusação apresentada em 2020. Ao longo de 2025, em meio à escalada diplomática e militar contra o regime venezuelano, a Casa Branca sustentou publicamente que Maduro liderava um cartel de drogas classificado como organização terrorista.
Na nova peça acusatória, no entanto, Maduro deixou de ser descrito como “chefe de uma organização terrorista narcotraficante” e passou a ser acusado de “participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção” ligada ao tráfico de drogas, da qual teria se beneficiado financeiramente. O documento foi divulgado no próprio sábado, dia da operação que resultou na prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores — ação sem precedentes recentes na América Latina e amplamente criticada por governos e organismos internacionais.
Cartel de Los Soles tem papel reduzido na nova acusação
Na versão atualizada, o Cartel de Los Soles aparece apenas duas vezes e passa a ser descrito como um termo genérico para redes de narcotráfico associadas à elite política e militar venezuelana, e não mais como uma organização hierarquizada liderada por Maduro. Em novembro, o grupo havia sido classificado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos como organização terrorista internacional.
“O réu, Nicolás Maduro Moros — assim como o ex-presidente Chávez antes dele — participa, perpetua e protege uma cultura de corrupção na qual elites poderosas da Venezuela se enriquecem por meio do tráfico de drogas”, afirma o Departamento de Justiça, ao caracterizar um sistema de clientelismo que beneficia civis, militares e agentes de inteligência.
Existência do cartel é contestada
Especialistas já questionavam a existência do Cartel de Los Soles como uma estrutura formal. Para Jeremy McDermott, do InSight Crime, trata-se de uma “rede de redes”, sem comando centralizado, diferente de cartéis clássicos como o de Sinaloa ou o de Medellín.
Segundo McDermott, embora não haja provas de que Maduro tenha sido o líder do cartel, há indícios de que ele foi um dos principais beneficiários de uma governança criminal híbrida, na qual concessões a militares e aliados políticos teriam sido usadas para garantir a manutenção do poder.
A mudança na acusação expõe contradições na estratégia do governo Trump após a captura de Maduro e pode ter impacto direto nos desdobramentos jurídicos e diplomáticos do caso nos próximos meses.
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